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A clínica de argumentos dos Monty Python De "Monty Python's Previous Record" e "Monty Python's Instant Record Collection" Transcrito originalmente por Dan Kay (dan@reed.uucp) Corrigido e acrescentado de "Queixoso" e "Lições de levar pancada na cabeça" Agosto/ 87 por Tak Ariga (tak@gpu.utcs.toronto.edu) O elenco (por ordem entrada):
H: Ah. Quero um argumento, por favor. R: Com certeza. Já cá esteve antes? H: Não. Esta é a primeira vez. R: Muito bem. Quer apenas um argumento ou pensa fazer um curso? H: Bem, quanto custa? R: Um argumento de cinco minutos custa euro e meio, mas um curso de 10 custa apenas 12 euros. H: Bem, penso que é melhor começar apenas com um de cinco minutos e depois ver como a coisa corre. R: Muito bem. Vou ver quem está livre agora. (Pausa) R: O Sr. Dâmaso está livre, mas é um pouco conciliador. Ahh sim! Tente o Sr. Bernardo; sala 12. H: Obrigado. (Caminha pelo corredor. Abre uma porta.) B: O QUE É QUE QUER? H: Bem, disseram-me lá fora... B: Não me venha com essa, seu cara-de-ranho monte de excremento de papagaio! H: O quê? B: Feche a sua supourosa goela, seu estúpido! O seu tipo faz-me vómitos, seu vazio e focinho-de-café, mal-cheiroso pervertido!!! H: Olhe, VIM AQUI PARA TER UM ARGUMENTO, não vou ficar...!! B: OH, oh, desculpe, mas isto é abuso. H: Oh, compreendo, bem, isso explica tudo. B: Ah sim, procure a sala 12A. É ao fim do corredor. H: Oh, muito obrigado. Desculpe. B: Ora essa! H: Obrigado. (Num sussurro) Estúpido idiota!! (Caminha pelo corredor) H: (Bate) A: Entre. H: Para ter um argumento, é aqui? A: Já lhe tinha dito. H: Não, não tinha. A: Tinha. H: Quando? A: Agora mesmo. H: Não, não tinha. A: Isso é que tinha. H: Não tinha. A: Tinha!
H: Oh, apenas de cinco minutos. A: Ah, obrigado. De qualquer modo, tinha. H: De certeza que não tinha. A: Olhe, vamos pôr isto a limpo; de certeza absoluta que lhe disse. H: Não, não disse. A: Disse. H: Não, não disse. A: Disse. H: Não, não disse. A: Disse. H: Não, não disse. A: Disse. H: Não disse. A: Disse. H: Olhe lá, isto não é um argumento. A: É pois. H: Não é não. É apenas uma contradição. A: Não é não. H: É! A: Não é. H: Olhe, acabou de me contradizer. A: Não acabei nada. H: Oh acabou!! A: Não, não, não. H: Então contradisse-me. A: Disparate! H: Oh, isto é inútil! A: Não é não. H: Vim cá à procura de um bom argumento. A: Não veio não; veio à procura de um argumento. H: Um argumento não é uma mera contradição. A: Pode ser. H: Não pode não. Um argumento é uma série de afirmações ligadas que pretendem estabelecer uma proposição. A: Não é não. H: É sim! Não é uma mera contradição. A: Olhe, se argumento consigo, tenho de assumir uma posição contrária. H: Sim, mas isso não é só dizer "Não é não." A: É sim! H: Não é não! H: Um argumento é um processo intelectual. A contradição é apenas negar automaticamente uma afirmação que outra pessoa faz. (Pausa curta) A: Não é não. H: É. A: Nem por sombras. H: Olhe lá. A: (Toca a campainha) Bom dia. H: O quê? A: É isso. Bom dia. H: Estava a começar a ficar interessado. A: Desculpe, os cinco minutos esgotaram-se. H: Não passaram cinco minutos! A: Passaram, sim. H: Não passaram. (Pausa) A: Desculpe, mas não tenho permissão para continuar a argumentar. H: O quê?! A: Se quer que continue a argumentar, tem de pagar mais cinco minutos. H: Sim, mas há pouco ainda não tinham passado cinco minutos. Oh, deixe-se disso! A: (Hums) H: Olhe, isto é ridículo. A: Desculpe, mas não tenho permissão para argumentar a menos que pague! H: Oh, 'tá bem. (Paga) A: Obrigado. (Pausa curta) H: Então? A: Então o quê? H: Há pouco ainda não tinham passado de facto cinco minutos. A: Eu disse-lhe que não estou autorizado a argumentar a menos que pague. H: Paguei agora mesmo! A: Não pagou nada. H: PAGUEI! A: Não pagou. H: Olhe, não quero argumentar sobre isso. A: Bem, não pagou. H: Aha. Se não paguei por que está a argumentar? Apanhei-o! A: Não apanhou nada. H: Apanhei sim. Se está a argumentar, é porque paguei. A: Não necessariamente. Posso estar a argumentar nas minha horas vagas. H: Oh, já tenho a minha dose disto. A: Não tem nada. H: Oh, cale-se. (Desce as escadas. Abre a porta.) H: Quero fazer uma reclamação. Q: Quer fazer uma reclamação! Olhe para estes sapatos. Tenho-os apenas há três semanas e os saltos estão todos gastos. H: Não, quero queixar-me de... Q: Se reclama não acontece nada, pelo que o melhor é não se dar ao trabalho. H: Oh! Q: Oh doem-me as costas, não é um dia muito bom, estou doente e farto deste escritório. H: (Bate com a porta. Caminha pelo corredor e abre a porta ao lado.) H: Olá, quero... Ooooh! C: Não, não, não. Segure na sua cabeça assim, depois diga Waaah. Tente outra vez. H: Uuuwwhh!! C: Está melhor, está melhor, mas Waah, Waah! Ponha a sua mão aqui. H: Não. C: Agora... H: Waaaaah!!! C: Excelente, excelente! É isso. H: Pare de me bater!! C: O quê? H: Pare de me bater!! C: Paro de lhe bater? H: Sim! C: Porque é que veio então aqui? H: Quero reclamar. C: Oh não, isso é na porta ao lado. Aqui são as lições de levar-pancada-na-cabeça. H: Que conceito mais estúpido. Tradução e adaptação: de Álvaro Nunes
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