An Introduction to Philosophical Analysis de John Hospers


John Hospers, An Introduction to Philosophical Analysis

Este livro é um best-seller. Vai na 4.ª edição e desde que foi publicado a primeira vez, em 1956, vendeu mais de 150.000 exemplares. Um best-seller em filosofia é uma coisa rara, se não estranha. Como se justifica então este facto? Justifica-se em duas palavras: clareza e rigor. Hospers é exímio na exposição das questões, teorias e argumentos das áreas de investigação filosófica que aborda e, por esse motivo An Introduction to Philosophical Analysis constitui uma excelente introdução à filosofia. Isso faz com que seja largamente utilizado como manual nos primeiros anos dos cursos de filosofia das universidades anglo-saxónicas e lido por um público que não sendo, nem pretendendo ser, especialista, quer, no entanto, conhecer os principais problemas, teorias e argumentos da filosofia. É por isso que o livro é um sucesso.

Os oito capítulos que constituem o livro tratam de questões de linguagem e realidade, conhecimento, percepção do mundo, conhecimento científico, liberdade e necessidade, mente e corpo, filosofia da religião e problemas de ética. Em cada um dos capítulos, Hospers faz uma análise detalhada, mas acessível, do problema que aborda, permitindo uma compreensão alargada das teorias e argumentos principais dessa área. O recurso frequente a diálogos imaginários permite ao leitor compreender os principais pontos de vista a propósito de cada problema, e os exercícios inteligentes e em quantidade permitem testar os conhecimentos adquiridos e reflectir sobre os problemas tratados.

Um livro como este constituiria um óptimo apoio para os professores e alunos da disciplina de Introdução à Filosofia. Uma vez que a grande maioria dos manuais da disciplina de Introdução à Filosofia são de fraca qualidade e a tradição filosófica portuguesa privilegia o discurso palavroso e vazio à análise rigorosa e cuidada dos problemas filosóficos, é premente a publicação de textos que forneçam aos professores e alunos alternativas e instrumentos de trabalho que lhes permitam conhecer e aprender os problemas, as teorias e os argumentos filosóficos tal como são discutidos na actualidade. Seria por isso excelente que alguma casa editorial portuguesa tivesse a iniciativa de publicá-lo, tanto mais que as excelentes vendas na Grã-Bretanha e Estados Unidos deixam antever que o mesmo aconteceria em Portugal.

Os excertos do capítulo Knowledge, que aqui divulgamos, constituem o melhor exemplo de tudo o que atrás dissemos. Para os professores (aqueles que já perceberam constituir uma alternativa e para os alunos a oportunidade, por uma vez, de contactarem com a forma como os problemas filosóficos devem e são tratados quando a filosofia é encarada como uma actividade séria, viva e formativa.

 

Álvaro Nunes, 2001

 

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